quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ética

Em que situações pedagógicas os Temas Transversais potencializam interações criando novos espaços de aprendizagem nas aulas de Educação Física Escolar?

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998b) buscar o desenvolvimento de uma educação voltada para a cidadania, requer a apresentação de questões sociais que efetivamente contribuam para a aprendizagem e reflexão dos alunos, possibilitando-lhes uma visão ampla e consistente da realidade da qual fazem parte, além de proporcionar o desenvolvimento da capacidade de posicionar se diante das questões que interferem na vida coletiva.
Justifica-se a escolha da ética, pelo fato de possuir uma relevância muito grande na sociedade e no contexto escolar, por fazer parte da realidade dos professores e, principalmente, por causa das dificuldades que se apresentam ao lidar com este tema.
De acordo com o objetivo desta pesquisa, buscamos apresentar ao grupo de professores colaboradores a possibilidade de tratar da ética como um conteúdo das aulas de Educação Física, pois acreditávamos que os professores já faziam discussões sobre ética nas aulas, mas só quando conflitos surgiam ou outras situações que proporcionavam uma conversa ou discussão sobre o tema e a intenção do trabalho era de que eles passassem a trabalhar intencionalmente com a ética nas aulas, incluindo-a como conteúdo no planejamento da disciplina.
A respeito da relação entre jogos e ética, os PCNs (BRASIL, 1997b) indicam que a Educação Física por se tratar de uma disciplina na qual as atividades motoras realizadas expõem de forma clara as competências e dificuldades dos alunos, requer muito cuidado para que os fracassos experimentados não se transformem em motivo de humilhação e desprezo. Ainda mais se for considerado que vivemos em uma sociedade na qual as competências físicas e a beleza corporal são extremamente valorizadas.
Neste contexto, os jogos representam excelentes oportunidades para a experiência de valores como, por exemplo, o respeito mútuo, a solidariedade, a justiça e o diálogo, princípios que são propostos pelo documento em relação ao tema transversal ética, como básicos para convivência democrática e a partir dos quais procedimentos concretos podem ser cultivados e exercidos nas práticas da cultura corporal. Promover jogos nos quais os alunos possam combinar ou modificar as regras de comum acordo pode ser uma excelente experiência para o diálogo, a cooperação obtida propicia o estabelecimento e cumprimento de contratos, e é onde os alunos aprendem a honrar a palavra empenhada e constituem relações de reciprocidade, pois a trapaça em relação a qualquer uma delas neste caso implicará principalmente na quebra de um acordo e no desrespeito aos colegas. O professor pode estimular também a construção de jogos e brincadeiras, nos quais as regras sejam estabelecidas por meio democrático através do diálogo.
O respeito mútuo pode também ser exercido no jogo, na interação com os adversários por meio de uma participação leal e não violenta. Além disso, pode proporcionar atitudes de solidariedade e dignidade frente ao adversário, por exemplo, em momentos nos quais a equipe vencedora possui atitudes de não provocar e não humilhar, e a equipe que perdeu consegue reconhecer a vitória dos outros sem sentir-se humilhada. A capacidade do julgamento de justiça pode ser desenvolvida nas vivências de confronto com o resultado dos jogos e das decisões do árbitro. O respeito às regras torna-se necessário para que o jogo seja “limpo”, qualquer infração resulta em um ato de injustiça contra a equipe adversária e o contrato estabelecido por meio das regras. Nos jogos que privilegiam o trabalho em equipe a solidariedade e a cooperação podem ser exercidas e valorizadas.
Os jogos possibilitam ainda a discussão de valores éticos relacionados a outros elementos. Em relação aos meios de comunicação, debates e discussões podem ser incentivados, especialmente em relação aos jogos de futebol transmitidos pela televisão, nos quais se assistem atitudes incompatíveis com o respeito mútuo, como faltas violentas e desleais, tentativas de se enganar o juiz, lances ilegais, gols cometidos de maneiras irregulares.
De acordo com os PCNs (BRASIL, 1997b) o caráter abstrato dos valores fazem com que a ética seja um eterno pensar, refletir e construir. À escola cabe educar os alunos para que tomem parte nessa construção, para que possam se tornar livres e autônomos para pensarem e julgarem.
Importante para esta pesquisa foi à constatação de que os professores de alguma maneira continuaram refletindo sobre a ética e procurando, à sua maneira, lidar com questões relacionadas ao tema.

O artigo completo você encontra na página:
http://cecemca.rc.unesp.br/ojs/index.php/motriz/article/viewFile/575/738

Acadêmicos: Luciano Antonelli Becker e Luiz Fernando Zanoello

terça-feira, 21 de abril de 2009

Temas Locais

Temas Tranversais - Temas Locais
O que e como tem sido abordados os Temas Transversais nas aulas de Educação Física Escolar?
(questão norteadora 4)
Neste texto não temos a pretensão de uma abordagem totalizante e, muito menos, de indicar um caminho único para a Educação Física Escolar, mas de trazer para a discussão elementos que podem ser incorporados na prática pedagógica dos profissionais de Educação Física.
Mesmo antes de nossa inserção no contexto de trabalho, vivemos as angústias, expectativas e incertezas de conseguir justificar nossas ações na escola. Ficamos confusos devido à diversidade de temas historicamente produzidos e incorporados pela Educação Física: esportes, jogos, lutas, danças, atividades rítmicas e expressivas..., temas estes que entendemos deveriam/devem ser abordados em nossas aulas.
Essa afirmação nos leva a esboçar um entendimento acerca do atual cenário da Educação Física no contexto escolar e, ainda, dentro deste projeto discutir, dentro dos Temas Locais, O que e como tem sido abordados os Temas Transversais nas aulas de Educação Física Escolar?
Então vamos relatar as experiências que tivemos, o que vimos, observamos e presenciamos durante nossos estágios.
Dentro dos temas locais, é difícil encontrar sua inserção durante as aulas de educação física.
Relatos de alguns colegas e professores, em conversas durante as reuniões de supervisão dos estágios orientados, mostram que a presença da violência, bullying, temas abordados no decorrer deste projeto, já postados aqui no blog, durante as aulas. Mas os professores não trabalhavam estes assuntos em sala de aula, apenas os presenciavam em situações corriqueiras e tentavam acabar estes episódios de maneira inapropriada por vezes.
Pesquisando pela internet, notamos que algumas escolas da rede pública e/ou privada, inserem temas como o Trânsito em suas aulas, dando noções de cidadania a seus alunos.
O desenvolvimento econômico e social da nossa região exige o cenário de uma escola, democrática, criativa, inclusiva, plural, participativa, agente do desenvolvimento sustentável, capaz de garantir a igualdade de oportunidades para todos.
Com a LDBEN 9394/96 e mesmo com os Parâmetros Curriculares Nacionais constatamos que o objetivo principal da educação é a cidadania. E não vamos atingir essa tão almejada cidadania neste país se as escolas continuarem a trabalhar os conteúdos tradicionais como o fim da educação. É preciso uma mudança de paradigma para entender que a educação tem a finalidade de promover a formação do cidadão.
Os conteúdos tradicionais continuam sendo os referenciais do sistema educacional. O objetivo da escola continua sendo trabalhar os conteúdos tradicionais (Matemática, História, Química, Física, Biologia, Línguas, etc.) e transversalmente, perpassando estes conteúdos, os temas mais vinculados ao cotidiano, que são: ética, meio ambiente, orientação sexual, pluralidade cultural, temas locais, trabalho e consumo e saúde.
Enfatizo que, os Temas Transversais são mais uma forma de incluir as questões sociais no currículo escolar, que se enriquece através da flexibilidade, uma vez que os temas podem ser contextualizados e trabalhados de acordo com as diferenças locais e regionais.
Muitas vezes nos sentimos impotentes frente a nossa realidade escolar, devido, entre outros fatores, à falta de uma proposta de trabalho. Não trazemos uma solução definitiva para este problema, mas acreditamos ter apresentado argumentos para uma reflexão sobre nossas próprias ações na escola e, quem sabe, inspirar outras.
Devemos refletir sobre os limites e possibilidades de uma proposta de intervenção em um contexto específico. Esta forma de intervenção tem-nos demonstrado a importância de termos uma proposição como referência, para que nossa prática pedagógica seja uma prática reflexiva potencializadora, sempre, de novas intervenções/avaliações/sistematizações, num movimento contínuo.
Podemos afirmar, a partir das reflexões em torno desta proposta, que precisamos do apoio imprescindível de uma comunidade argumentativa, que nos envie questionamentos capazes de fazer-nos repensar nossa própria prática pedagógica e, desta forma, contribuir para a legitimação da Educação Física no contexto escolar.

Acadêmicos: Vinícius Pugliero e Rodrigo Leonel.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Meio Ambiente

http://www.efdeportes.com/efd100/ma.htm

Temas e possibilidades de trabalho em aulas de Educação Física

Meio ambiente, temperatura e aulas de Educação Física

A análise da incidência de sol e chuva em quadras externas e as soluções para a diminuição das interferências negativas dos fatores climáticos nas aulas poderiam configurar-se em um projeto de trabalho. Alguns encaminhamentos seriam, no caso da incidência de sol, os plantios de árvores que deve levar em consideração o tempo de crescimento, o posicionamento, o tipo de árvore e de copa, as correções no solo para melhor germinação, o espaçamento entre as árvores como também a construção de uma cobertura artificial.
Poderia ser avaliado o material a ser utilizado, o impacto ambiental gerado para a construção da cobertura, produção da matéria-prima a ser utilizada, a disponibilidade de recursos financeiros, a forma de captação... A partir da problematização de um fato relacionado à aula de educação física, estaríamos mobilizando uma série de conhecimentos (conceituais, procedimentais e atitudinais) que poderiam ser extremamente úteis ao cotidiano dos alunos, sobretudo pelo fato de estimular a vivência social cidadã.

Educação Física, Lazer e Meio Ambiente

Outro grande tópico apresentado pelo tema transversal meio ambiente propõe-se analisar as diversas maneiras de relacionamento entre a sociedade e o meio ambiente. Uma interface promissora dentro dessa temática relaciona-se às reflexões sobre a extinção ou privatização dos espaços públicos destinados as atividades de lazer e recreação. Entender as razões históricas e estruturais responsáveis pela apropriação dos espaços públicos de lazer e buscar alternativas para assegurar condições mínimas de segurança e adequação bem como estratégias para a ampliação da oferta dos espaços por parte dos órgãos públicos caracterizam-se como uma ação pedagógica significativa.
A efetivação da cidadania pela Educação Física, passa pelas discussões envolvendo o lazer e a disponibilidade de espaços públicos para as práticas da cultura corporal de movimento. Essas são necessidades essenciais ao homem contemporâneo e, por isso, direitos do cidadão. Os alunos podem compreender que os esportes e as demais atividades corporais não devem ser apenas privilégio dos esportistas profissionais ou das pessoas em condições de pagar academias ou clubes. Dar valor a essas atividades e reivindicar acesso a centros esportivos e de lazer e programas de praticas corporais dirigidos à população em geral pode ser incentivado a partir dos conhecimentos adquiridos nas aulas de Educação Física.

Espaços disponíveis para as aulas de Educação Física

A problemática da inadequação do espaço físico para a prática de atividades corporais também pode ser identificada no interior das escolas, especialmente das públicas.
Um caminho possível é o envolvimento da comunidade local, visto que a escassez de espaços públicos para o lazer e para o esporte coloca-se como uma realidade com desdobramentos sociais que merecem ser analisados. Seria ingênuo acreditar que a simples construção de uma quadra ou equipamento lúdico/esportivo qualquer traria soluções para os problemas estruturais da sociedade. Cabe aos envolvidos com a escola refletir e procurar soluções para a diminuição ou, mesmo, extinção dessa problemática.
A depredação dos prédios escolares também tem sido motivo de grandes preocupações para todos. A recuperação dos espaços, muitas vezes, torna-se mais difícil do que a construção de novo equipamento. Refletir sobre essas questões, bem como desenvolver atitudes de preservação e conservação, configura-se como mais uma possibilidade que pode ser trabalhada nas aulas de Educação Física.

Saúde e Meio Ambiente

A interface entre a saúde e o meio ambiente abre significativas possibilidades pedagógicas em aulas de Educação Física e pode ser abordada como uma temática social. O entendimento de saúde deve estar vinculado a uma política pública, direcionada a toda a população e não a uma elite, a intervenção não esteja restrita a uma única ação (praticar atividade física), esquecendo os fatores sociais, econômicos, culturais, educacionais, etc.
A concepção de saúde deve envolver a complexidade das relações entre o indivíduo e o meio ambiente, considerando as desigualdades sociais, fruto da má distribuição de renda. Palma (2001) aponta:
"a pobreza, a saúde e a educação, assim, se inter-relacionam numa rede de interações, onde os baixos salários, a má educação, a dieta pobre, a habitação e as condições de higiene insalubres e o vestuário inadequado se influenciam mutuamente". (p.30).
Os PCNs da Educação Física pretendem assegurar a autonomia necessária para os alunos agirem criticamente sobre os programas de saúde pública como também em qualquer vivência relacionada à cultura corporal de movimento.

Esportes de aventura e o Meio Ambiente

Em oposição à vertente institucionalizada do esporte espetáculo em que preponderam as práticas mecanizadas, a eficácia do rendimento corporal e a produção de bens e serviços, os esportes de aventura buscam, segundo Costa (2000), resgatar os valores de beleza, auto-realização, liberdade, cooperação e solidariedade. É necessário, então, um olhar mais cuidadoso em relação à inserção dos esportes de aventura e as suas influências no cenário da cultura corporal de movimento.
O movimento esportivo institucional assume posição de destaque do ponto de vista social e exerce grande influência nas atividades escolares. Como um dos elementos que compõem a cultura corporal de movimento, o esporte coloca-se como objeto de estudo, tendo em vista as suas interfaces com o movimento ambientalista.
Da Costa (1997), ao analisar a Declaração do Rio de Janeiro como o resultado final da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, cita o princípio, da redução e eliminação de padrões de produção e consumo não-sustentáveis (p.23), no qual o desporto é colocado como um padrão, devido a sua crescente expansão, por vezes de forma não saudável à sociedade e freqüentemente, em desarmonia com a natureza.
De acordo com o autor, inúmeras discussões têm sido desencadeadas no meio desportivo, abrangendo as federações regionais, nacionais e, mesmo, o Comitê Olímpico Internacional, buscando encaminhamentos para a adequação à nova ordem, qual seja, a gestão de um desporto sustentável. Bento (1991, citado por Da Costa, 1997) constata que
"o cenário desportivo, impulsionado por uma primeira tendência de trazer o desporto do exterior para o interior, para o espaço fechado e coberto, é hoje marcado por uma segunda tendência, nomeadamente a de levar o desporto para o espaço aberto, para o ar livre, para o exterior, para a natureza" (p.61).
Tal tendência pode ser evidenciada pela crescente busca dos esportes de aventura, o que pode carregar valores que retratam uma nova dimensão do relacionamento homem-natureza.
A relação entre os esportes de aventura e os esportes tradicionais, pode conter grande potencial educacional. Costa (2000) constata que a opção por modalidades esportivas sob a ótica ambientalista tem como motivação a superação de obstáculos na busca do autoconhecimento, da auto-realização, da satisfação pessoal, nas quais são reintroduzidas as noções de jogo e de prazer, tais como a fantasia, o desejo, o sonho, o desafio e a vertigem.
O esporte de aventura, sobretudo aquele realizado junto à natureza, representa mais uma possibilidade de aproximação entre o indivíduo e o meio ambiente, devido à interação com os elementos naturais e as suas variações, como sol, vento, montanha, rios, vegetação densa ou desmatada, lua, chuva, tempestade, desencadeando atitudes de admiração, respeito e preservação. Seria ingênuo acreditar que o simples contato com a natureza fosse condição suficiente considerar o indivíduo como defensor do meio ambiente.
Tais temáticas são muito amplas e ultimamente vêm merecendo grande destaque, especialmente por parte da mídia, o que pode ser entendido como colaboração ou também como gerador de problemas. A pluralidade de idéias e de propostas práticas é fundamental para o debate educacional e para a consolidação da representatividade social da Educação Física.

Considerações finais

Aproximar três realidades, a Educação Física, o Meio Ambiente e a Escola, em constante processo de atualização e transformação, demanda cuidados e ousadia. São temáticas que isoladamente vêm merecendo um destaque significativo nos meios de comunicação de massa, o que também deve ser olhado com ressalvas.
Os temas relacionados à análise dos ciclos corporais e suas relações com os ciclos da natureza, as interferências climáticas, a disponibilidade e o estado de conservação dos espaços públicos e privados de esporte e lazer como também os espaços destinados às aulas de Educação Física, as relações que se constróem a partir da aproximação entre as temáticas da saúde e do meio ambiente, a análise crítica relacionada às propostas dos esportes de aventura como um estímulo à preservação do meio ambiente, configuram-se como propostas e encaminhamentos pedagógicos. Tais propostas bem como as sugestões de tratamento metodológico só se tornarão viáveis, se os profissionais apropriarem delas e as transformarem, tendo em vista a realidade onde se encontram.

Essas foram algumas maneira que encontramos onde os professores de educação física estão trabalhando o meio ambiente nas aulas de educação física nas escolas publicas e privadas.

Referências bibliográficas
· BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos: Apresentação dos Temas Transversais/ Secretaria de Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.
· COSTA, V. L. de M. Esportes de aventura e risco na montanha: Um mergulho no imaginário. Barueri: Manole, 2000.
· DA COSTA, L. P. Environment and Sport: an international overview. Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, Universidade do Porto, Porto, Portugal, 1997.
· PALMA, A. Educação Física, corpo e saúde: uma reflexão sobre outros modos de olhar. . Revista Brasileira de Ciências do Esporte. n.2 v.22 p.23-39, 2001.
· PIGEAUSSOU, C. The various forms of environmentalist thinking within the field of sports activities: Fron the utopic to the realistic. In: DA COSTA, L. P. Environment and Sport: an international overview. Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, Universidade do Porto, Porto, Portugal, 1997a.
· Mutations du sport et de son environnement: Evolution ou revolution? D'une aproche pragmatique à une reflexion antropologique, perspectives francaises. In: DA COSTA, L. P. Environment and Sport: an international overview. Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, Universidade do Porto, Porto, Portugal, 1997b.

Mariane Ferreira e Richard Hepp

domingo, 19 de abril de 2009

Avaliação do blog

Santa Maria, 19 de abril de 2009.

Estimados alunos,

Estou em processo de avaliação do
Blog Educação Física: Mídia e Temas Transversais e ratifico nosso encontro no dia 4 de maio, na sala 3022 do CEFD, às 15h, para fazer uma avaliação em conjunto. Porém, destaco alguns pontos que devem ser tratados no encontro:

a) Na minha avaliação, o Blog está muito carregado. Há textos muito extensos e pouca ou quase nenhuma avaliação/discussão dos responsáveis pelos temas específicos. O Blog não está atrativo; muito poluído.
b) Com rara exceção, não consigo encontrar respostas, fruto de discussões das duplas, para as questões norteadoras. Elas são o “ponta pé” inicial para as discussões dos temas transversais, conforme definimos em aula. Por isso, na avaliação em curso, há dois aspectos em consideração: a) resposta às questões norteadores; b) textos e links complementares.
c) Em todas as postagens devem ser mencionados o nome dos alunos responsáveis e todos os textos devem estar “vinculados” ao tema e a discussão. Não recomendo postar textos inteiros e longos (não serão lidos e poluem a página). Sugiro que vocês façam resumo de alguns que consideram importantes.
d) A avaliação das postagens e do envolvimento dos acadêmicos está sendo feita através de tabela, onde constam o tema transversal, a data da postagem e os conteúdos postados, bem como a qualidade/profundidade. A qualidade refere-se a exemplos que aparecem na mídia e as sugestões que vocês estão dando aos “possíveis “ leitores professores do nosso Blog, sobre como trabalhar os temas transversais. A objetividade é fundamental para atrair leitores ao Blog.
e) Em minha opinião, a página de abertura do Blog sempre deverá ser a mesma, aquela onde está a apresentação da proposta. Os Links (à direita) devem ser apenas os 6 Temas Transversais que estamos tratando. Podemos ter outros, mas amplos, por exemplo – Pós-Graduação; Notícias na Mídia (....) algo nesse sentido. O Blog tem que ser muito objetivo e claro.
f) A menos que eu esteja enganada, ainda não temos material dos temas Pluralidade Cultural (Resp; Marcel Ercolani Santos) e Trabalho, Consumo e Cidadania (Luana Annes Tessis). Acredito que estes alunos tenham desistido, pois a freqüência da disciplina está na data da postagem. Até agora já tivemos 6 aulas.
g) Não entendi a postagem do texto “O esporte e a lógica capitalista”. Como está descontextualizado e sem autores, peço que seja excluído do Blog;
h) Chama atenção que a enquete que consta no Blog foi respondida por apenas 5 pessoas, ou seja, nem os alunos matriculados na disciplina responderam.

i) Todos têm acessado o Blog, ou apenas encaminhado o material ao acadêmico Vinícius para a postagem? Vocês têm divulgado o Blog aos professores de Educação Física Escolar?

As primeiras considerações ao BLOG são estas. Aguardo, para amanha, a postagem do material referente a quarta questão norteadora e também comentários sobre minha avaliação inicial.

Grande abraço,

Profa. Marli Hatje Hammes

terça-feira, 14 de abril de 2009

Temas Locais

No desenvolvimento dos TEMAS LOCAIS, já trabalhamos com Violência (de maneira geral, na escola, no esporte e no que o cerca) e com o bullying (violência escolar). Então vamos abordar o conteúdo das lutas, como forma de potencializar a interação, criando um novo espaço e trazendo questões disciplinares, de autocontrole, respeito, caráter, autodefesa e prática esportiva.



AS LUTAS COMO CONTEÚDO DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR:


- Lutas: instrumento pedagógico ao alcance do professor
Ainda que o professor não possua uma formação ampla sobre o assunto, é possível trabalhar dentro da realidade de estrutura física da escolar, e da sua formação profissional.
- Escolha da luta
Os PCN’s não determinam qual modalidade de luta é a melhor ou a mais indicada para as aulas de educação física. Fica o professor responsável por decidir a escolha da modalidade de luta que será ensinada. E, se o professor, ao chegar neste ponto, não tenha compreendido o significado das lutas, enquanto componente da Educação Física Escolar, talvez não compreenda se será necessário escolher uma, duas ou três modalidades de luta. E quais deverão ser escolhidas: as mais conhecidas na cidade e na região? Ou somente as modalidades olímpicas?
- Além do treinamento técnico-competitivo
As lutas e artes marciais, ainda que popularmente difundidas como “esportes de luta”, podem, no contexto escolar, serem desenvolvidas com um caráter competitivo, ou não. Todas as práticas da cultura corporal de movimento, competitivos ou não, são positivas, pois são contextos favoráveis de aprendizagem, pois permitem o exercício de uma ampla gama de movimentos que solicitam a atenção do aluno na tentativa de executá-los de forma satisfatória e adequada. Elas incluem, simultaneamente, a possibilidade de repetição para manutenção e prazer funcional e a oportunidade de ter diferentes problemas a resolver. Além disso, pelo fato de constituírem momentos de interação social bastante significativos, as questões de sociabilidade constituem motivação suficiente para que o interesse pela atividade seja mantido.
- Elaboração do currículo escolar
Seria pretensão sugerir um modelo de currículo escolar para que fosse aplicado nas aulas de Educação Física. No entanto, é importante ressaltar que a unidade menor da dinâmica de ensino, a “aula”, sempre deveria preceder um planejamento curricular bem elaborado, de forma que não se desenvolvam “soltas”, com objetivos momentâneos, mas participando de um processo contínuo de construção do saber.
- Alternativas pedagógicas
O professor que desejar desenvolver algo mais que uma iniciação a uma modalidade de luta, terá de buscar nos outros ramos da própria Educação Física Escolar, conceitos e estruturas que ajudarão a construir uma aula com uma plástica diferente, mais atrativa.
Filmes nas aulas de lutas
A imagem é um dos mais importantes meios de comunicação e contribui para alteração nas formas de pensamento e de expressão das pessoas. Na matéria “Filme na aula de História: diversão ou hora de aprender”, publicada na revista “Escola on-line”, edição 182, de Maio de 2005, se afirma que “o cinema aproxima os alunos de situações, pessoas, cenários e sons do passado e do presente. Mas é preciso saber explorar esse importante recurso pedagógico para que a aula não seja simplesmente uma sessão pipoca e caia no vazio”.
O cinema pode ser usado pelo professor tanto para iniciar um assunto ainda não abordado, como para desenvolver o conteúdo. “Nenhuma imagem fala por si só. Para que ela seja realmente útil na aprendizagem, é essencial a intervenção do professor”.
- Relacionamento Social
Analisando a atividade somente nesse momento, certamente as lutas classificam-se como unicamente de interação com o adversário. No entanto, se considerarmos uma aula inteira de educação física e não somente o “momento da disputa”, as lutas, podem ser também atividades com relações dos alunos com o meio e relações motrizes entre si, ou cooperação.
As diferentes interações não devem ser consideradas somente no momento dos combates. O professor pode agregar também às outras fases do trabalho oportunidades para os alunos exercitarem a solidariedade e a tomada de decisão. É importante que se observe os seguintes comportamentos nos alunos:
Respeito ao próximo;
Humildade;
Sinceridade;
Auxílio aos iniciantes e paciência com os mais novos;
Atitudes com o relacionamento com os alunos mais tímidos;
Participar das atividades respeitando as regras;
Assumir os seus atos e não acusar os colegas, a não ser em casos de extrema importância;
Eficiência nos estudos.
- A avaliação
A divisão das técnicas ensinadas em partes distintas, facilita para organizar a mensuração e avaliação
- Interdisciplinaridade
As lutas podem ser consideradas atividades de grande potencial interdisciplinar, constituindo-se em instrumentos de pesquisa de conteúdos de diversas outras disciplinas.
Já são comuns sugestões para a Educação Física, de formas de trabalho interdisciplinar com outras disciplinas. Seguindo esse pensamento, algumas possibilidades também se aplicam às lutas.
Também podem ser trabalhados os temas transversais, como:
Ética:
podem ser levantadas discussões sobre temas como: vencer é mais importante que competir? O que significa competir honestamente?
Pluralidade cultural: conhecendo a origem e o histórico das lutas, o aluno realiza uma leitura da realidade de indivíduos em outros contextos, possibilitando uma reflexão sobre as diferenças sociais, culturais, etc.
- Do Pré-escolar à EJA
Toda a atividade física bem-direcionada deve ter seus objetivos determinados adequadamente para cada faixa etária, respeitando os limites que cada um traz na sua bagagem biológica. Mesmo na iniciação, o desenvolvimento psicomotor deve ser trabalhado visando principalmente à saúde, formando uma estrutura sólida, para que, posteriormente, a criança esteja preparada para a prática desportiva especializada e conseqüentemente para a competição.
- Motivação dos alunos: continuidade
As opções mais populares, consideradas por quem não pratica são: treinamento visando defesa pessoal; participação em uma prática de esportiva, visando à promoção da saúde ou ao lazer; e como “filosofia de vida”, mesmo não sabendo bem o que significa isso.
- Relação “prática de lutas” e “violência escolar”
Algumas artes marciais, como o Aikidô, apresentam uma proposta de combate dito “suave”, onde o praticante reduz a agressividade em detrimento do controle e da suavidade dos seus golpes. Também existem os códigos de conduta, com orientações reprimindo os comportamentos violentos e desnecessários.
Existe uma visão de que se o aluno aprender a lutar, irá agredir os professores e os pais, ou promover mais brigas com os colegas. Esse é um preconceito da prática de artes marciais na escola, pois muitos alunos possuem acesso a uma academia ou a um instrutor que lhe ensine, fora da escola, e isso não determina que sejam mais violentos que os outros que não possuem.
Na luta, para os alunos, o outro não é um inimigo; é só um adversário. E a relação não é de agressão, mas de interação. ‘Cria-se uma espécie de diálogo corporal’, os estudantes atacam, defendem-se, caem e, no final, voltam à condição de colegas, sem se sentir desrespeitados. Não é à toa que, na maioria das artes marciais, os embates começam e terminam com um cumprimento.
Mesmo assim, é importante conhecer a formação do profissional de luta, não importando o número de medalhas conquistadas, mas o modo como desenvolve suas aulas. O professor pode desviar a arte marcial do seu objetivo educativo, podendo estimular a agressividade ao invés de canalizá-la.


Complemento (para leitura)

Entrevista:
Situações Pedagógicas e Temas Transversais, interações na escola - projeto.

Projetar é sonhar, garante o educador Nilbo Nogueira. Afinal, tem coisa melhor que planejar e pôr em prática, na sala de aula, atividades de acordo com seus gostos e interesses? Mas não basta sonhar sozinho. Para ele, trabalhar com projetos deve ser uma criação coletiva da coordenação, dos professores e, principalmente, dos alunos.
Entrevista completa em:
http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista0084.asp

Acadêmicos: Vinícius Pugliero e Rodrigo Leonel